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Mini-guia de Aysén: um oásis de vida natural na Patagônia Chilena

Uma viagem para contemplar, sentir e imaginar, assim é visitar a região de Aysén, um oásis de vida natural na Patagônia Chilena

Texto: Átila Ximenes

Fotos: Átila Ximenes e Jaime Borquez

No céu, condores andinos planam no ar observando a grandeza das montanhas, no chão, aos pés da Carretera Austral, huemuls pastam livremente com calma e não se importam com os turistas que animados descem da van para observá-los. Esses importantes animais estão no brasão de armas do Chile, e encontrá-los em seu habitat natural é ter a certeza que viajar para a região de Aysén, na Patagônia Chilena, será uma viagem imersiva na natureza selvagem.

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Neste post você encontrará um mini-guia com todas as informações que você irá precisar para montar a sua viagem para a região de Aysén.

Como chegar em Aysén

Localizada na famosa Carretera Austral, via que cruza grande parte da Patagônia chilena, Aysén é um lugar fácil de chegar. A Latam Airlines tem dois voos diários para Balmaceda, aeroporto mais próximo da região de Puerto Cachabuco, onde está localizado o hotel Loberias del Sur, onde nos hospedamos.

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Quem estiver em Puerto Mont poderá vir via terrestre pela Carretera Austral. De lá para a região de Punta Arenas, Puerto Natales e Torres del Paine o caminho é via Argentina e leva em média 16 horas de carro.

Voei do Galeão/Rio de Janeiro para Guarulhos/São Paulo (1h de voo), de São Paulo para Santiago do Chile (3h30 de voo), de Santiago do Chile para Balmaceda (2h10 de voo) e de Balmaceda para Puerto Chacabuco o trajeto dura em média 2h de carro – nesse trecho final são 132 km em uma paisagem repleta de belezas naturais.

Fica a dica: na ida, a Latam Airlines atrasou na entrega das malas e perdi o meu voo de conexão para Balmaceda, e como o meu voo era o último do dia fui realocado para o primeiro voo do dia seguinte. A companhia aérea não se responsabilizou por minha hospedagem em Santiago, então fica a dica para quando você for fechar a sua passagem, tentar colocar os voos de conexão com o maior tempo possível.

O Hotel Loberias del Sur possui pacote com tudo incluído (hospedagem, alimentação, excursões e o traslado). Facilita e muito a vida de quem planeja conhecer a região.

O que fazer na região de Aysén: mapa das principais atrações

Tours em parques nacionais, em geleiras, caminhadas em bosques e momentos de puro relax em águas termais são algumas das opções do que fazer em Aysén. Aqui, destaco os tours que fiz em meus cinco dias na região.


O que fazer em Aysén: Parque Aiken del Sur

Cheguei no hotel por volta de 13h, tempo para fazer check-in, almoçar, tomar um banho e me preparar para o primeiro tour que seria às 15h, uma caminhada em um bosque no Parque Aiken del Sur.

No horário marcado encontramos, eu e os outros integrantes do meu grupo, o guia que nos acompanhou naquela tarde. O trajeto entre o hotel e o parque é curto, 15 minutos, e logo ao chegarmos recebemos algumas informações de boas práticas na trilha e sobre a fauna (merluza, condor, lobo marinho, pica pau e martín pescador) e flora (arrayán, ciprés, tepa, maqui, coihue, nirve, lenga) que são alguns dos destaques da região.

A trilha é de fácil acesso. Sobre como se vestir, indico o básico para a região: botas, calça e jaqueta. Levar uma garrafa de água na mochila não será uma má ideia.

Iniciar as atividades pelo bosque foi uma ótima escolha, assim já chegamos sabendo mais sobre as principais informações sobre a vegetação que encontraríamos nos próximos dias. Além de Calafate, Michay e Chilcos, o bosque está dominado pelas arrayáns, árvore que absorve a energia negativa de quem a toca (segundo a lenda), nem preciso falar que abraçar a árvore por aqui é mais que obrigação, né? 🙂

A trilha, que no total tem no total 2 km de extensão, é feita em duas horas de caminhada com paradas em diversos pontos para fotos e explicações. O tour foi finalizado no Salto Barba de Viejo, uma cachoeira esplendorosa de 22 metros de altura que jorrava pingos com sua água de degelo em nossa cara. A cachoeira está localizada no setor das árvores mais antigas do parque e em média 860 litros de água passam por ela por segundo. A temperatura da água? 4 graus!

O que fazer em Aysén: Parque Nacional Queulat

Conhecer o Parque Nacional Queulat estava em nossa programação para o segundo dia de viagem. Aqui eu deixo uma observação importante: se a previsão for de chuva, tente trocar por outro tour e deixe este para fazer em um dia de sol. A principal atração é o Ventisquero Colgante, uma das geleiras mais bonitas da região, que sem ser em um dia de sol não faz sentido as horas de estrada até lá.

Viajamos 4h de van entre Puerto Chacabuco e o Parque Nacional Queulat, no caminho fizemos algumas paradas para ir ao banheiro e para fazer fotos em um mirante. Antes de entrar no parque paramos em uma cabana que serve de ponto de apoio para a excursão. Na parada foi servido um café para dar aquela aquecida no corpo antes de encarar a trilha e o frio.

O parque oferece três opções de trilhas, fizemos a mais curta devido a chuva que naquele dia resolveu aparecer com força total. Mesmo com chuva e sem ver a geleira, a visita ao parque valeu a pena pela caminhada no bosque e pela a travessia na ponte suspensa. No bosque, espécies endêmicas e gigantescas formavam um cenário digno de Jurassic Park. Fomos até o mirante da geleira, esperamos alguns minutos para tentar a sorte de o tempo virar, mas nada! Voltamos para a base onde foi servido o almoço para o grupo e iniciamos o retorno para o hotel.

Essa seria a vista em um dia de sol:

Aqui um destaque! Nos tours de dia inteiro o Loberias del Sur envia, além da equipe de guias, uma equipe de cozinha para servir o almoço onde quer que seja o ambiente. Na cabana além do almoço quentinho tínhamos à disposição água, refrigerante, vinho, espumante e o clássico pisco sour.

Fica a dica: leve uma troca de roupa completa, se chover, mesmo com capa de chuva, você poderá molhar a sua roupa – e lembre-se que ainda terão 4h de estrada para voltar para Puerto Chacabuco.

O que fazer em Aysén: Cerro Castilho e Capillas de Mármol

Na programação do terceiro dia de viagem estavam as Capillas de Mármol (Capelas de Mármore), um dos principais atrativos da região de Aysén. Para este tour, é necessário levar trocas de roupas para pernoitar em outro hotel do grupo, já que a distância não permite fazer um bate e volta em um único dia.

Acordamos cedo e após o café da manhã entramos na van com destino à Puerto Río Tranquilo, local de saída dos barcos para as Capillas de Mármol. No caminho, passamos por Cerro Castilho, um dos cerros mais famosos (e mais bonitos) da região. Mas aqui vale um destaque: os Huemuls! A espécie, ameaçada em extinção, habita as Cordilheiras dos Andes do Chile e da Argentina – está estampada no brasão do Chile e nos falaram que se tivéssemos sorte os encontraríamos ao longo da Carretera Austral. Após três horas de viagem avistamos algumas vans paradas na estrada, e sim, eram eles.

Um grupo de oito huemuls estavam pastando e não ficaram incomodados com a nossa presença, que mesmo com a temperatura baixa ficamos ali quietos e observando-os, no estilo intrusos na natureza selvagem. São, aparentemente, dóceis. O guia nos falou que todos os anos os chifres caem para dar lugar aos novos, um ciclo natural da espécie.

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Voltamos para a van e após algumas horas a mais de viagem avistamos o Lago General Carrera, o segundo maior lago da América do Sul (atrás do Titicaca, no Peru), ponto de partida para conhecer as Capillas de Mármol.

Há várias lojas de turismo para exploração do lago, com foco nas Capillas de Mármol. Como os ingressos já estavam inclusos na excursão, fomos direto para o cais para ouvir os procedimentos de embarque – e claro, iniciar a aventura.

Com os fortes ventos, ondas foram formadas fazendo com que água entrasse no barco – aqui vai a dica para levar uma bolsa de plástico para proteger a câmera, celular e outros objetos de valor. Navegamos por vinte minutos e entramos em uma enseada, onde as águas ficaram mais calmas e o show começou. Nem de longe eu poderia imaginar a real beleza desse lugar. As formações feitas pela água no mármore são dignas de o lugar ser considerado como um dos melhores atrativos da Patagônia Norte chilena.

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No geral, as Capillas de Mármol formam um complexo de ilhas que possuem cavernas esculpidas pela água – que por sua vez é de um azul quase que turquesa, dando ao lugar uma beleza ainda maior. Navegamos entre as ilhas, onde um guia local nos passou algumas explicações – após ver todas retornamos ao cais. Maravilhados, seguimos para um almoço regado a bons vinhos chilenos e seguimos viagem para Puerto Bertrand, localizado a 1h30 de Puerto Río Tranquilo, onde faríamos a nossa pernoite.

Para passar a noite… uma bela surpresa! O Loberias del Sur inaugurou recentemente o Parador Bertrand, uma casa bonita, aconchegante e cheia de charme – daqueles lugares que não dá vontade de ir embora. São dois quartos duplos e três quartos de casal, todos com calefação, camas macias e confortáveis e lençóis macios e cheirosos. Fomos recebidos com um jantar saboroso, claro, regado a vinho e bons papos entre os aventureiros do nosso grupo.

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O nosso quarto dia de viagem foi o nosso retorno para Puerto Chacabuco, paramos em Cerro Castillo para almoçar e ao chegar no hotel tivemos uma tarde livre para aproveitar para conhecer a cidade – optei por descansar da viagem e fiquei no relax da banheira do quarto do hotel. 😉

O que fazer em Aysén: Glaciar San Rafael

A cereja do bolo ficou para o último dia, claro. Cartão postal de Aysén, o Glaciar San Rafael, localizado no parque nacional de mesmo nome, é, de longe, a atração mais impactante dessa região. Para visitá-lo é necessário separar um dia inteiro, já que são 4h para ir e 4h para voltar, mas a bordo do Catamarã Aysén tudo fica mais fácil.

O Catamarã Aysén, que tivemos a sorte de participar da sua primeira saída com turistas para o parque nacional, tem capacidade para receber até 237 passageiros, navega a uma velocidade de 45 km por hora (sendo atualmente o catamarã mais rápido do sul do Chile) e possui toda a estrutura para que os passageiros tenham uma viagem confortável em meios as águas geladas do pacífico.

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O tour tem duração das 7h às 18h e inclui café da manhã, almoço, lanche e bebidas – refrigerante, água, sucos, café, chás, vinho, pisco sour, uísque (com gelo glaciar), entre outros.

Para quem gosta de ver animais em seu habitat natural, indico ficar de olhos atentos, já que a região abriga famílias de lobos marinho, golfinhos, cormoranes e uma exótica família de focas leopardo. Eu, como ando com o olho sempre atento, vi um lobo marinho, um golfinho e um bando de cormoranes, além de outras aves que não consegui identificá-las.

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Antes de chegar ao Parque Nacional San Rafael tivemos uma breve apresentação sobre os glaciares com o guia Pablo Maldonado Zubicueta, onde nos foram apresentados os diferentes tipos de glaciares, suas formações, sobre a zona de acumulação, equilíbrio, entre outras informações que nos fizeram chegar na atração já com informações importantes sobre o que estava em nossa frente.

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O Glaciar San Rafael é grandioso. É de fato a melhor experiência da região de Aysén. Navegar de bote bem próximo da grande geleira é de dar frio na barriga, e ouvir os desprendimentos de gelo (que possuem o som de um trovão) é se sentir muito entre a natureza selvagem. Todo o entorno dos fiordes nos mostravam a real beleza da Patagônia. Vale muito a pena conhecer essa obra esculpida pela natureza.

Onde ficar em Aysén: Hotel Loberias del Sur

O hotel Loberias del Sur foi a nossa base para esses dias em Aysén. Localizado na pequena Puerto Chacabuco, o hotel é o mais bem estruturado da região e tem o diferencial de ter suas diárias all inclusive de alimentação e excursões. Neste link eu conto sobre a minha experiência no hotel. Para saber mais, clique aqui para ver o hotel no Booking ou aqui para ir para o site deles.

O que levar/vestir para a Patagônia

Mesmo no verão, o frio é comum no extremo sul do mundo, por isso, o que levar na mala é um item super importante na sua viagem à Patagônia. Anota aí o básico: bota e jaqueta impermeáveis, gorro, luvas, meias grossas, hidratante labial, protetor solar, óculos escuros, casaco (se tiver um corta vento, melhor), segunda pele (camisa e calça) e mochila para o dia a dia.

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A Decathlon é uma loja boa para encontrar todos esses itens, que por mais que pareçam caros no geral, são aquisições que possuem longa duração e servirão para futuras viagens para destinos gelados.

Qual moeda levar?

No Chile é comum os estabelecimentos aceitarem dólar e devolver o troco em pesos. Caso queira já chegar com uma quantidade de pesos em mãos, indico levar dólares e trocar em alguma casa de câmbio no centro de Coihaique ou Puerto Aysén.

Outras dicas:

Devido a distância entre Puerto Chacabuco e as atrações turísticas – você poderá ficar de 8 a 10 horas na van por dia, indico levar algum medicamento para enjoo.

As tomadas para os equipamentos eletrônicos são de dois pinos, e caso tenha um adaptador universal indico colocar na mala.

Dicas dadas, agora é hora de começar a planejar a sua viagem para Aysén. Sem dúvidas serão dias de total imersão com a natureza bruta dessa que é uma das regiões mais belas do mundo, a Patagônia. Safe travel!