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Um dos grandes prazeres de uma viagem é sair sem mapa, sem planos e se perder pelas ruas da cidade e encontrar um lugar incrível, que te surpreende de algum modo. É lógico que eu não faria isso na Índia, mas uma cidade como Bangkok é um dos lugares que eu recomendo se perder; é sair e ter a certeza que você encontrará alguma surpresa pelo caminho.

Utilizar os barcos como meio de transporte na capital tailandesa é altamente recomendável. Estávamos voltando do Wat Arun, um dos meus templos favoritos e descemos na estação Oriental. Passamos pela plataforma de madeira que conectava o deck à rua, que por si só já era uma viagem. Ao invés de entrar no hotel, decidimos dar uma volta pela região.

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Seguindo pela mesma rua, passamos por um casarão antigo e grande, conectado por um corredor com vitrais. Era o edifício da East Asiatic Company, construído em 1884. Comecei a me animar a andar um pouco mais…

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Viramos na primeira à esquerda, e continuamos por algumas ruas menos movimentadas. Decidimos ir até o final de uma delas, que tinha uma barraca que vendia o típico pad thai. Chegando no final, encontrei uma rua que me encantou pelo aspecto antigo do edifício à esquerda, pelas cenas cotidianas de uma família tailandesa justo na minha frente e por ver um grupo de meninas fotografando no final da rua. E aí continuamos a caminhar…

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À medida que fomos nos aproximando, vi que era uma sessão de fotos. Perguntei se elas eram tailandesas, elas disseram que sim e que estavam em plena aula de fotografia e ali conversamos um pouco. Agora imagine a minha alegria ao acompanhar esse grupo de meninas tailandesas se arrumando, sorrindo e aprendendo algo juntas?

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Entramos na rua sem saída, já nas margens do Chao Phraya e encontramos um edifício super antigo, e na minha opinião, lindíssimo apesar do estado de abandono. Perguntei para as meninas o que era aquele local e elas disseram “fireman place”.

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Entramos e encontramos várias grupos de jovens fotógrafos nos primeiros dois andares, que não fotografei por achar invasivo. Demos uma olhada nos ambientes e decidimos não subir nos outros andares, já que vimos famílias e os olhares não eram muito receptivos.

Voltei para o hotel ansiosa, como se tivesse acabado de ver um filme e me encantado por uma música que eu não sabia o nome e comecei a buscar informações desse edifício tão elegante e decadente ao mesmo tempo.

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E aí descobri: a casa foi construída pelo arquiteto italiano Joachim Grassi,  em 1855, a pedido do rei Rama V. Conhecida como Sul-la-ka-Sathan, servia como alfândega em um momento de comércio intenso entre os países orientais e ocidentais e por essa razão foi construída estrategicamente nas margens do Chao Phraya. Naquela época, chegou a ser um dos edifícios neoclássicos mais fabulosos da cidade.  Em 1949, a alfândega mudou de local, e o Sul-la-ka-Sathan se transformou na estação de corpo de bombeiros, e atualmente é ocupada pelas famílias de policiais que infelizmente não têm ideia do valor histórico dessa casa.

Felizmente, o Departamento do Tesouro tinha uma política para conservar o local e emitiu um edital de licitação para conservação. Em 2005, a rede de hotéis Aman Resorts apresentou uma proposta para transformá-la em hotel, mantendo as suas características arquitetônicas, mas há uma grande disputa pela propriedade e nada foi definido até o momento.

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Depois de descobrir e entender a história desse lugar, encontrei um belo roteiro de walking tour no site da National Geographic chamado “Old Bangkok Riverside” que pretendo fazer quando voltar à cidade. Entre as estações de Taskin e Chinatown há muitas outras obras coloniais construídas na época da efervescência do comércio carregadas de histórias.

Caso você se anime a conhecer o edifício, esta é a rota a partir da estação Oriental de ferry:


Ver mapa maior

Fonte da sinformações sobre o edifício