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Depois de um sábado pela cidade, o Átila mostrava sinais de quase-colapsando de cansaço. Pensávamos que era só o stress da combinação viagem+trabalho, mas na madrugada do sábado vieram os sinais de infecção alimentar. Acordamos às 6h, ligamos para a recepção para pedir indicação de um hospital, e às 7:30 o Rafik, nosso querido motorista e colega veio nos buscar. Tínhamos um pouco de medo do hospital e a verdade é que era bem parecido ao hospital público do Brasil, e olha que o hospital indicado, o SDMH, se auto-intitula o “maior hospital privado de Jaipur”; logicamente, isso não significa o melhor e o mais limpo.

O Rafik nos acompanhou durante todo o processo, traduzindo e explicando tudo, um anjo. Um médico nos viu no setor de urgências e pediu um check up, incluindo um exame para verificar se podia ser malária e aí deu aquele medo. O Átila estava fraco, pálido, amarelo na verdade e sem vida, acabado mesmo. Os exames só sairiam na segunda e, enquanto para o Átila não piorar, receitou vitaminas e remédios para intoxicação alimentar, além de uma dieta. Descemos para o subsolo para fazer o exame de sangue e era tudo muito, mas muito simples mesmo. Nunca tinha visto mosca dentro de uma sala de coleta de sangue. Tudo vale como uma experiência. Dentro do complexo do hospital eles tinham uma farmácia, onde compramos todos os remédios, super baratos. Depois disso, o café da manhã foi um lassi bem gostoso.

Voltamos para o hotel e o Rafik sugeriu a visita a um curador, um guru, pra que ele avaliasse o Átila e ajudasse no que fosse necessário. Como não perderíamos nada com isso e seria uma experiência a mais para contar (e que experiência), lá fomos nós três – o Léo, o nosso colega também nos acompanhou. Passamos por muitas ruas e ruelas locais até chegar ao tal lugar. A fachada era uma loja de jóias, acreditem. O Rafik disse que ele não cobrava nada, mas que deveríamos apenas dar uma olhadinha na loja. Entramos, olhamos os artigos de prata, que eram mais acessíveis e comprei um anel. Do nada, vemos que o Léo entrou em uma sala no fundo da loja, com um homem. Vinte minutos depois, o Léo sai da sala chorando, transtornado, perguntando se conhecíamos aquele cara, que ele sabia a vida dele toda, que ele disse várias coisas, enfim, fiquei assustada, mas curiosa pra saber o que ele teria a dizer pra mim, já que a experiência tinha sido tão… intensa pro Léo. Minutos depois, outra menina entra na sala e sai em menos de cinco minutos, chorando e rindo ao mesmo tempo.

Entrei na sala logo depois. Ele perguntou qual era o meu nome e a minha idade. Eu disse que estava lá para ter respostas, não pra ele me perguntar nada. Ele disse: “você, sempre tão durona, mas no fundo no fundo é uma pessoa muito doce”. E aí começou a falar sobre o meu chacras, como o meu coração estava fechado, como eu deveria me amar mais. Me jurou que a minha mãe tinha abortado (oi?) e que tínhamos uma má relação, mesmo quando eu insitia em dizer que não. Ao mesmo tempo, acertou coisas muito íntimas. Eu pedi para ele falar com o Átila. Estava assustada, confusa, mas não chorei, nem nada.

Ele disse várias coisas para o Átila que eram certas, mas também disse coisas absurdas como que a vó dele tinha se suicidado – ela morreu no hospital, gente! Quando ele terminou de falar, pediu que segurássemos uma pedra e fechássemos os olhos. Ele disse que essa pedra abriria o chacra do nosso coração. O valor? 200 dólares oO. No final, obviamente o cara não fez nada com nenhum chacra de ninguém, apenas saímos de lá perturbados e confusos entre as coisas íntimas que ele tinha acertado e os absurdos que ele insistia em dizer que eram verdades e não compramos pedra nenhuma.

Decidimos ir para o hotel descansar e como voltei super encucada, resolvi buscar o tal guru na internet. O nome da figura é Anjay e muitas das coisas que ele disse para nós três foram ditas para muitas outras pessoas, está tudo relatado nesse post. E acreditem, algumas compraram a tal pedra por uns bons dólares. Nunca vou saber como ele consegue acertar algumas coisas bem íntimas, mas é fato que o cara é um picareta.

Depois de rir muito com a história, o Átila ficou repousando no hotel e tomando os remédios e eu acompanhei, medindo a febre, bem apreensiva e assustada, já que uma intoxicação aqui não é brincadeira. Dormimos cedinho para buscar os resultados dos exames no dia seguinte.

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