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Cruce Andino: uma experiência na autêntica Patagônia norte

Uma travessia que cruza as Cordilheiras dos Andes através de três lagos e quatro trechos terrestres, desde Puerto Varas (Chile) até Bariloche (Argentina) ou virce-versa.

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Era 8h da manhã de uma terça-feira fria de maio em Puerto Varas quando a guia Jenny, do Cruce Andino, chamou o meu nome na recepção do hotel Cabaña del Lago. Nos apresentamos, mostrei o meu voucher, entreguei a minha mala ao motorista e entrei no ônibus junto com outra passageira, uma chilena que aparentemente estava de férias desbravando o seu país. Seguimos até a loja da TurisTour, no centro da pequena cidade, onde nos unimos aos outros viajantes que fariam a travessia dos lagos, e a partir daí começamos uma viagem de 10h por paisagens cênicas da Patagônia chilena e argentina.

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Foto: Travessia dos Lagos (Cruce Andino/Divulgação)

A rota original era chamada de O Caminho dos Lagos Andinos, foi criada no final do século XIX para transportar lã de ovelha produzida na Patagônia Argentina até Puerto Montt, na Patagônia Chilena, que a partir desse porto era levada para a Europa através do Estreito de Magalhães. Com a fundação do Canal do Panamá a empresa faliu, e um visionário suíço a comprou para torná-la em uma rota de turismo. E quer saber? Deu super certo!

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Sol e chuva no mesmo dia, assim é a região dos lagos no outono. (Foto: Átila Ximenes)

O Caminho dos Lagos Andinos é conhecido atualmente como Cruce Andino, é feito durante todo o ano (inclusive no inverno) e é uma daquelas experiências de viagens que temos que fazer um dia na vida.

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Foto: Travessia dos Lagos (Cruce Andino/Divulgação)

Como funciona?

A viagem pode ser feita de Puerto Varas (Chile) para Bariloche (Argentina) ou virce-versa, tem duração média de 10h e é feita através de quatro trechos de ônibus e três trechos de barco. A partir do momento em que você deixa a sua mala com o motorista do ônibus no ato do check-in da viagem, não há mais preocupações. O staff fará todo o procedimento (inclusive nas fronteiras entre Chile e Argentina) e você terá apenas que subir e descer dos barcos e ônibus. O dia é exclusivo para admirar as belezas das Cordilheiras, seja com o forte vento frio na cara em uma das áreas externas do barco ou apreciando as paisagens sentado em um ambiente climatizado com todo o conforto que a ocasião merece. É uma viagem para todos!

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Mapa: Cruce Andino

Alimentação

Em cada embarcação há um quiosque com venda de lanches e bebidas. Na ida paramos para almoçar em Peulla, no restaurante do Hotel Natura – os vegetarianos não precisam se preocupar, há opções de saladas. No final da tarde, antes dos últimos trechos de barco e ônibus, paramos na cafeteria do Hotel Puerto Blest, em Puerto Blest, onde tomei um cappuccino para espantar o frio. Portanto, no geral não se preocupe com alimentação. Lembrando que nenhuma refeição está incluída no bilhete do Cruce Andino. Ah! E leve dinheiro em espécie, peso chileno ou argentino e dólar.

Moeda

No Chile, peso chileno, na Argentina, peso argentino. Poucos são os lugares que aceitam o real em Puerto Varas, já em Bariloche vários lugares aceitam a nossa moeda. Quase todos os lugares recebem dólar americano. Há vários ATM’s nas duas cidades, e vi um Santander em Puerto Varas.

Qual a melhor época?

No verão! O Cruce Andino deve ser incrível feito em um dia completo de céu azul e sol forte. A região dos lagos é uma área de chuvas, portanto, é mais provável ter dias lindos apenas entre dezembro e março. Mas, uma vez na região dependente da estação do ano, vale a aventura!

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Travessia dos Lagos (Cruce Andino/Divulgação)

Quanto custa?

No site (cruceandino.com) há várias promoções, portanto fique atento para garantir o melhor preço. Os valores base para as viagens de 2017 são: a partir de USD 230 (dólares) para a viagem de ida em um dos trechos ou a partir de USD 340 (dólares) para a viagem e ida e volta, ou seja, viverá a experiência em dose dupla, caso o seu voo saia do mesmo aeroporto de chegada. Durante alguns meses do ano há promoções para quem opta pelo trecho de ida e volta, fique de olho.

Trecho a trecho

Antes de viajar para Puerto Varas para fazer a travessia busquei na internet informações sobre cada trecho da viagem, e como não encontrei nada, detalharei aqui para os próximos curiosos que buscarem essa informação.

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Foto: Travessia dos Lagos (Cruce Andino/Divulgação)

Trecho 1 – Puerto Varas x Saltos del Petrohué x Lago Todos los Santos 

Após encontrar com o grupo que iria fazer a travessia comigo entramos no ônibus e seguimos em direção a primeira embarcação, que sairia do porto do Lago Todos los Santos, mas antes paramos para ver os Saltos del Petrohué – para visitar a atração pagamos 4 mil pesos chilenos, o mesmo que 6 dólares.

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Saltos de Petrohué. (Foto: Átila Ximenes)

Os Saltos del Petrohué são um ponto turístico famoso e imperdível em Puerto Varas. As corredeiras descem com força e velocidade entre as pedras (que na verdade são lavas petrificadas da última erupção do vulcão Osorno) que estão aos pés do vulcão. Há uma passarela construída para que possamos andar sobre as águas. Até chegar nos Saltos caminhamos 300 metros em um bosque de mata fechada. No verão é possível praticar rafting nível 3.

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Saltos de Petrohué. (Foto: Átila Ximenes)

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Saltos de Petrohué. (Foto: Átila Ximenes)

Entramos novamente no ônibus que nos levou até o porto onde nos esperava a primeira embarcação. Durante todo o caminho a Jenny, nossa guia, foi falando cada detalhe da viagem, explicando a história de cada lugar para que nós nos sentíssemos ainda mais imersos à nova descoberta.

Trecho 2 – Lago Todos los Santos x Peulla

Entramos na embarcação, assistimos as instruções e começamos a primeira viagem pelo Lago Todos los Santos. O sol apareceu fui para a área externa fazer umas fotos. Em seguida vários passageiros saíram para fazer as fotos e sentir o vento congelante na cara.

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Porto de Peulla. (Foto: Átila Ximenes)

A paisagem é incrível, parece inóspita mas tem gente vivendo na beira do lago, e antes do desembarque em Peulla passamos por uma cachoeira que parecia ter saído de um filme tipo Narnia.

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Cachoeira Andina. (Foto: Átila Ximenes)

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Outono na Patagônia. (Foto: Átila Ximenes)

Almoçamos no restaurante do Hotel Natura, há opções de carne, frango, pescados e saladas. Após o almoço seguimos até a aduana chilena, que fica a apenas 150 metros do hotel. Fizemos a saída do Chile e entramos no ônibus para seguir viagem até a aduana Argentina.

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Hotel Natura em Peulla.

Em Peulla há atividades como arvorismo, cavalgadas, visita a fazendas e outros tours que a TurisTour organiza em parceria com o Cruce Andino, mas essa opção é exclusiva para quem decide dormir por lá uma noite.

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Cavalgada em Peulla (Cruce Andino/Divulgação)

Trecho 3 – Peulla x Lago Frías

No caminho passamos por várias fazendas, entre elas uma se destaca, onde há criações de vários animais, entre eles lhamas e veados. Paramos no marco que faz a divida do Chile com a Argentina e chegamos na aduana para fazer a entrada na Argentina. Aqui o tempo abriu, o sol chegou iluminando as montanhas. Foi só pisar na Argentina para fazer o dia bonito, disse um dos passageiros.

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Foto: Cruce Andino/Divulgação

Em Lago Frías, onde há a aduana e o pequeno porto para seguir viagem para Puerto Blest, há um quiosque e um café, onde há uma réplica da moto que Che Guevara usou para as suas aventuras pela América. Point de foto sim ou com certeza?

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Réplica da moto de Che Guevara. (Foto: Átila Ximenes)

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Outono na Patagônia. (Foto: Átila Ximenes)

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Lago Frías. (Foto: Átila Ximenes)

Trechos 4 e 5 – Lago Frías x Puerto Blest

Esse foi o trecho mais rápido, ficamos mais ou menos 15 minutos no barco, entramos em uma van e depois de 10 minutos desembarcamos no Hotel Puerto Blest – um lugar e tanto para “quebrar” a viagem, curtir a redondeza do hotel e no outro dia seguir para Bariloche. Sim, é possível fazer isso, tanto em Peulla como em Puerto Blest, os dois destinos interessantes, mas Puerto Blest me deu mais vontade de ficar.

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A caminho de Puerto Blest. (Foto: Átila Ximenes)

Puerto Blest é bem pequeno, aparentemente há apenas o porto e o hotel, mas soube que há trilhas sinalizadas para hóspedes. Tomei um cappuccino na cafeteria e segui para embarcar no último trecho navegável do dia.

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Puerto Blest. (Cruce Andino/Divulgação)

O Hotel Puerto Blest foi fundado no ano de 1904 e desde então recebeu viajantes de todo o mundo até o ano de 2009, onde foi fechado para uma reforma. Em 2015 o hotel reabriu as suas portas – fecha somente no inverno. Localizado a apenas 25km de Puerto Pañuelo, porto de Bariloche, as únicas vias de acesso são navegando pelo Lago Nahuel Huapi ou cruzando desde o Chile, como fiz. No total são 15 quartos, há restaurante, cafeteria e como se já não bastasse toda a natureza ao redor, há uma área zen. O hotel é praticamente abraçado pela natureza.

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Puerto Blest Hotel (Foto: Divulgação)

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Puerto Blest Hotel (Foto: Divulgação)

Trecho 6 – Puerto Blest x Lago Nahuel Huapi

A última (e maior de todas) embarcação chegou em Puerto Blest e logo embarcamos com destino a Puerto Pañuelo, Bariloche. O último trecho “de água” da viagem encanta. As paisagens do Lago Nahuel Huapi surpreendem. O lago é extenso, as montanhas são imensamente gigantes e sem fim… Só me restou sentar na frente de uma das janelas panorâmicas para contempla a paisagem, agradecer pelo dia incrível entre as montanhas.

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Último trecho de barco da viagem. (Foto: Átila Ximenes)

Trecho 7 – Lago Nahuel Huapi x Bariloche

Desembarcamos e o staff transferiu as nossas malas do barco para o último ônibus. O trajeto do porto até o centro de Bariloche é de quase 1h de estrada. É um trecho tranquilo e de despedida. O ônibus segue a rota e vai parando nos hotéis que estão no caminho para desembarcar os passageiros, no meu caso o NH Edelweiss, hotel em que fiquei hospedado na cidade.

Vale a pena?

Se você faz o estilo viajante, explorador, gosta de observar e estar no meio da natureza, sim, vale muito a pena! Se você está viajando com pressa, talvez seja melhor cruzar de ônibus. Levará umas quatro horas a menos, mas você perderá o melhor da viagem, que é estar no meio dos andes navegando pelos Lagos Andinos.

Dá para fazer de outra forma? Sim, de bike!

Fiquei muito animado quando soube dessa opção, mas essa opção deve ser feita no verão. Como funciona? Você poderá optar pela opção Bike & Boat, os trechos terrestres são realizados de bike ao invés de ônibus. Todas as informações sobre cruzar os andes em duas rodas você encontra aqui.

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Foto: Cruce Andino/Divulgação

Mapa da rota

Serviço

Cruce Andino

Site: cruceandino.com

Email: contacto@cruceandino.com

*Viajamos para Puerto Varas e Bariloche a convite do Cruce Andino e em parceria com o Hotel Cabañas del Lago e a NH Hotels.