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Cruce Andino: uma experiência na autêntica Patagônia norte

Uma travessia que cruza a Cordilheiras dos Andes por meio de três trechos náuticos e quatro terrestres, desde Puerto Varas (Chile) até Bariloche (Argentina) ou vice-versa. É aventura com conforto! Saiba como é a experiência do Cruce Andino

Dentre as dezenas de atividades que fazem parte do cardápio de excursões da Patagônia, algumas delas se destacam – como é o caso do Cruce Andino, uma travessia feita diariamente entre Puerto Varas e Bariloche (ou vice-versa), que está virando moda entre os brasileiros.

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Criada no final do século XIX, a rota era chamada de O Caminho dos Lagos Andinos, e servia exclusivamente para transportar lã de ovelha produzida na Patagônia Argentina até Puerto Montt, na Patagônia Chilena, que a partir desse porto era levada para a Europa via Estreito de Magalhães. Com a fundação do Canal do Panamá a empresa faliu, e um visionário suíço a comprou para torná-la em uma rota de turismo. E quer saber? Deu super certo!

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O Caminho dos Lagos Andinos é conhecido atualmente como Cruce Andino, e está em pleno funcionamento durante todo o ano inclusive no inverno).

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Cruce Andino: como é?

Reserve um dia para a travessia. A viagem tem partida e chegada as cidades de Puerto Varas (Chile) e Bariloche (Argentina). No total são dez horas de viagem divididas em trechos náuticos e terrestres, em barcos e vans super confortáveis. É uma viagem de total contemplação à bela e cênica paisagem dos andes. O staff, super atencioso, organiza tudo – inclusive a imigração nas fronteiras. Há paradas para almoço e café nos hotéis pelo caminho.

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Mapa: Cruce Andino

Alimentação

Em cada embarcação há um quiosque com venda de lanches e bebidas. Na ida paramos para almoçar em Peulla, no restaurante do Hotel Natura. No final da tarde, antes dos dois últimos trechos de barco e ônibus, paramos na cafeteria do Hotel Puerto Blest. Nenhuma refeição está inclusa no bilhete do Cruce Andino. Indicamos levar dinheiro em espécie: peso chileno, argentino e/ou dólar.

Moeda

No Chile, peso chileno, na Argentina, peso argentino. Em Puerto Varas, o real é aceito em pouquíssimos estabelecimentos. Já em Bariloche, o real é bem-vindo em muitos deles. O dólar é aceito em praticamente todos os lugares. Há vários ATM’s nas duas cidades. Em Puerto Varas há Santander.

Cruce Andino: quando ir

Para aproveitar melhor o tempo e a paisagem, vá no verão – entre novembro e março. Mas… uma vez pela região, independente da data, acho válido a experiência.

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Cruce Andino: quanto custa?

O valor do trecho é de 230 dólares (fevereiro/2021), mas no site (cruceandino.com) há várias promoções, fique atentx! Durante alguns meses do ano há promoções para quem opta pelo trecho de ida e volta, fique de olho.

Há a opção de fazer a travessia em dois ou três dias, dormindo nos hotéis pelo caminho – nada mal para quem tem tempo de sobra.

Indico colocar os voos chegando por uma cidade e saindo por outra, e no meio da viagem cruzar entre os destinos por meio do Cruce Andino.

Trecho a trecho

Antes de viajar para Puerto Varas para fazer a travessia busquei na internet informações sobre cada trecho da viagem, e como não encontrei nada, detalharei aqui para os próximos curiosos que buscarem estas informações.

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Trecho 1 – Puerto Varas x Saltos del Petrohué x Lago Todos los Santos 

Após encontrar com o meu grupo, entramos no ônibus em direção ao porto do Lago Todos los Santos para tomar a primeira embarcação – mas antes paramos para conhecer uma das atrações de Puerto Varas, os Saltos del Petrohué. A entrada custa 4 mil pesos chilenos, equivalente a 6 dólares.

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Imperdível para quem está em Puerto Varas, os Saltos del Petrohué são corredeiras que descem com força entre as pedras – que na verdade são lavas petrificadas da última erupção do vulcão Osorno. Há uma passarela construída na qual os turistas caminham sobre as águas. No verão é possível praticar rafting nível 3.

Em seguida, fomos em direção ao porto/catamarã.

Trecho 2 – Lago Todos los Santos x Peulla

Entramos na embarcação, assistimos as instruções e começamos a primeira viagem pelo Lago Todos los Santos. O sol apareceu e fui para a área externa tentar fazer algumas fotos.

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A paisagem é incrível, parece inóspita, mas tem gente vivendo na beira do lago. Antes do desembarque em Peulla passamos por uma cachoeira que me lembrou Nárnia.

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Paramos para almoçar no restaurante do Hotel Natura, havia opções de carne, frango, pescados e saladas. Após o almoço seguimos até a aduana chilena, que fica pertinho do hotel. Fizemos a saída do Chile e entramos no ônibus para seguir viagem até a aduana argentina.

Em Peulla há atividades como arvorismo, cavalgadas, visita à fazendas entre outros tours. Essas atividades são exclusivas para quem decide dormir por lá uma noite.

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Trecho 3 – Peulla x Lago Frías

No caminho passamos por várias fazendas, com criações de lhamas e veados. Paramos no marco da divisa Chile/Argentina e chegamos na aduana para fazer a entrada na Argentina. Aqui o tempo abriu, o sol chegou iluminando as montanhas.

Em Lago Frías, onde há a aduana e o pequeno porto para seguir viagem para Puerto Blest, há um quiosque e um café. Lá encontra-se uma réplica da moto que Che Guevara usou para as suas aventuras pela América.

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Trechos 4 e 5 – Lago Frías x Puerto Blest

O trecho mais rápido da viagem. Ficamos em torno de 15 minutos no barco, entramos em uma van e depois de 10 minutos desembarcamos no Hotel Puerto Blest – lugar de um visual único e ideal para “quebrar” a viagem, esticar as pernas e tomar um café.

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Puerto Blest é bem pequeno, aparentemente há apenas o porto e o hotel, mas soube que há trilhas sinalizadas para hóspedes. Tomei um café no restaurante e segui para o último trecho náutico da travessia.

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O Hotel Puerto Blest foi fundado no ano de 1904 e está localizado a apenas 25km de Puerto Pañuelo, o porto de Bariloche. As suas únicas vias de acesso são navegando pelo Lago Nahuel Huapi ou cruzando desde o Chile, como fiz. No total são 15 quartos, há restaurante, cafeteria e como se já não bastasse toda a natureza ao redor, há uma área zen. O hotel é praticamente abraçado pela natureza. Quero voltar para dormir no mínimo duas noites!

Trecho 6 – Puerto Blest x Lago Nahuel Huapi

A última (e maior de todas) embarcação chegou em Puerto Blest e logo embarcamos com destino a Puerto Pañuelo, Bariloche. O último trecho embarcado da viagem encanta. As paisagens do Lago Nahuel Huapi surpreendem. O lago é extenso, as montanhas são imensamente esplêndidas e sem fim… Só me restou sentar na frente de uma das janelas panorâmicas para contempla a paisagem e agradecer pelo dia incrível entre as montanhas.

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Último trecho de barco da viagem. (Foto: Átila Ximenes)

Trecho 7 – Lago Nahuel Huapi x Bariloche

Desembarcamos e o staff transferiu as nossas malas do barco para o último ônibus. O trajeto do porto até o centro de Bariloche é de quase 1h de estrada. É um trecho tranquilo e de despedida. O ônibus segue a rota e vai parando nos hotéis que estão no caminho para desembarcar os passageiros, no meu caso o NH Edelweiss, hotel no qual fiquei hospedado na cidade.

Cruce Andino vale a pena?

O Cruce Andino vale a pena para você que gosta de viajar e contemplar a natureza. É uma experiência única, que nos faz sentir parte de um documentário da National Geographic. É beleza natural além do que podemos contemplar. É pra guardar na memória das viagens especiais da vida.

Dá para fazer de outra forma? Sim, de bike!

Fiquei muito animado quando soube dessa opção, mas terei que voltar no verão para fazê-la. Como funciona? Você poderá optar pela opção Bike & Boat, os trechos terrestres são realizados de bike ao invés de ônibus. Todas as informações sobre cruzar os andes em duas rodas você encontra aqui.

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Cruce Andino: Mapa da rota

Serviço

Cruce Andino

Site: cruceandino.com

Email: [email protected]

*Viajamos para Puerto Varas e Bariloche a convite do Cruce Andino e em parceria com o Hotel Cabañas del Lago e a NH Hotels.