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Rock, indie, música eletrônica e hip hop… O Coachella, um dos festivais mais hypados dos últimos anos, se destaca pelas temáticas, organização e qualidade de entrega.

Música, arte e viagem, tem mistura melhor? Viajar para um festival de música merece uma atenção exclusiva no planejamento, e no caso do Coachella, um dos festivais mais desejados dos últimos tempos, a atenção deve ser dobrada, já que as melhores opções de ingressos, hospedagem e transportes esgotam rápido. Digo isso porque acompanhei toda a organização do Daniel Melo, um amigo que estreou esse ano no festival, e a pedido nosso (valeu, Dani!), respondeu seis perguntas em um estilo Coachella para iniciantes, com dicas essenciais para você que está programando ir ao festival no próximo ano.

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Coachella (Foto: Divulgação)

1 – Sabemos que os ingressos do Coachella são bastante disputados. Foi fácil para você comprar o ingresso? O ingresso chegou na sua residência no Brasil ou você teve que buscá-lo em algum local nos Estados Unidos?

Pra começar, diferente dos festivais que temos por aqui, o Coachella não tem modalidade de você comprar dias separados do festival. Vende-se somente a pulseira válida para os 3 dias. Há duas oportunidades para compra: a primeira entre junho e julho do ano anterior ao festival, onde você compra os “passes” sem saber o lineup; e a segunda em janeiro do ano do festival, onde o lineup é divulgado um dia antes da abertura desta segunda fase. Comprei em janeiro e o processo foi bem tranquilo. Entrei na fila às 17h no horário de Brasília – ou seja, no exato momento de início das vendas – e levei cerca de 40 minutos. Como registrei a compra fora dos EUA, a única opção disponível era a “Will Call” ou seja, retirar os ingressos em Indian Wells, próximo ao complexo do festival. Eles exigem documento de identidade (no meu caso, passaporte) e cartão de crédito utilizado na compra. A dica aqui é: seja o dono do cartão do crédito da aquisição para evitar qualquer percalço. Utilizei o cartão de um amigo, levei o scan do cartão frente-e-verso do cartão, mas não solicitaram quando fui retirar. Porém, todo cuidado é necessário, depois do protocolo 9/11 e de recentes atentados, a cada ano eles estão aperfeiçoando a segurança dos eventos nos EUA. Todos que acessavam o festival passavam diariamente por uma rigorosa revista (incluso detector de metal) e duas validações da pulseira.
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Coachella 2017. (Foto: Divulgação)

A pulseira é dividida em 2 níveis: General Access (público em geral) e VIP. Mas existem pacotes nos quais você pode agregar a pulseira:
  • Com shuttle bus (foi o que comprei)
  • Com hotel incluso
  • Com camping incluso
  • Com tendas de luxo no camping chamadas “safari tents”
  • Outstanding In The Field” na qual são servidas refeições de luxo com pratos exclusivos feitos por chefs renomados no rose garden do Coachella

2 – Qual a melhor forma de hospedagem para quem pretende ir ao Coachella? Sabe como funciona o sistema de camping? Quais são as cidades mais próximas?

Antes de mais nada, se você tiver certeza de que irá ao festival, mesmo antes de comprar o ingresso, reserve já a sua hospedagem. As opções mais baratas esgotam-se rapidamente, especialmente para o weekend one, o da novidade, onde todos os blogueiros, hypados, etc querem estar lá para contar para o mundo em primeira mão. Indio (local do festival), Indian Wells e La Quinta são as hospedagens mais caras, por serem mais próximos ao festival. Além de serem referência em luxo no deserto, exemplo: Indian Wells abriga a série masters de tênis profissional, é um dos melhores torneios dos circuitos masculino/feminino. Se quiser opção mais barata, a escolha é Palm Springs, onde a grande maioria do público se hospeda. Não achei hostels em minhas pesquisas, porém tem uma boa oferta de Airbnbs, diferença de quase 2000 reais para o hotel mais barato – fiquei em um quarto de um casal ultrasimpático, com ótima localização, apenas 5km do ponto do shuttle bus.
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Camping. (Foto: Divulgação)

Sobre o camping, sei poucas informações, mas são bastante concorridos. O aplicativo sempre informava para tomar alguns cuidados extras no camping, como por exemplo protetor solar e as rajadas de vento no deserto.
Cidades próximas:
  • Palm Desert
  • La Quinta
  • Indian Wells
  • Indio
  • Desert Hot Springs
  • Palm Springs
  • Mission Hills

3 – Como chegar no Coachella? Quais são as opções de transportes? Teve dificuldade para chegar no evento?

A logística do festival é fantástica. São cerca de 25 pontos do shuttle bus, e quando você chega em cada um, tem pelo menos cerca de 5 a 10 ônibus aguardando embarque. Não existe espera para embarque e são ônibus confortáveis, leitos, que vão tocando playlist do festival durante o percurso. De Palm Springs até o Empire Polo Club são cerca de 45 minutos com trânsito livre.
Outra opção muito utilizada para chegar ao festival é o Carpool, ou seja, carro com duas ou mais pessoas. Os que vão para lá podem caracterizados no chamado carinhosamente “Carpoolchella”, que são carros enfeitados com temas do festival. Concorre a prêmios tais como entradas VIP para o festival para a vida inteira.
E há uma última opção bem mais cansativa que alguns utilizam. Fazer um bate-e-volta de LA. Geralmente são vans que fazem este trajeto, que pode durar até 4 horas a depender do tráfego. No hostel que estive em LA, cobravam 60 dólares o dia.

4 – Uma questão importante do planejamento é sobre a média de gastos. Pensando apenas no festival, qual é o gasto médio para um final de semana de evento? (Ingresso, hospedagem, transporte, alimentação e bebidas) ​

  •  Ingresso: USD 399 (pulseira 3 dias GA; VIP custa USD 799)
  • Cartão Shuttle Bus: USD 75 (total, válido para os 3 dias)
  • Transporte: no meu caso, aluguei um carro, desde LA. Você pode conseguir por USD 50/dia de nível intermediário, devolvendo em Palm Springs. Dirige cerca de 2 horas e meia (percurso normal 1 hora e 40 minutos; porém na quinta pré-festival o movimento é intenso) e pode devolver o carro reabastecendo por apenas USD 15 meio tanque. É uma excelente opção e mais barata que no Brasil. Há vôos disponíveis também, não cheguei a pesquisar pois vinha com o carro desde SF.
  • Hospedagem: USD 470 por 4 noites em um quarto de Airbnb, bem localizado. Hotel mais barato que achei foi por USD 900 mas, como citei anteriormente, fazendo a reserva com antecedência poderá encontrar melhores ofertas.
  • Alimentação e Bebidas: antes de ir para o festival, achei um local chamado The Sandwich Spot, excelente, um Subway muito mais gostoso (foi eleito melhor sanduíche do deserto). Pagava cerca de USD 11 por um sanduíche bem servido e refrigerante refil. Era meu café da manhã + almoço.
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Food area. (Foto: Divulgação)

No festival, há uma restrição para beber em um determinado espaço. Então, se você está sozinho e quer assistir muitos shows (como foi o meu caso), dificilmente beberá muito devido ao espaço restrito – somente em uma determinada área, longe dos palcos principais, pode-se tomar bebidas alcoólicas. Somente tem acesso à essas áreas quem utiliza a pulseira certificando ser maior de 21 anos. Até por isso muita gente leva CamelBak, para ter mais liberdade.
Então os gastos de seriam: USD 30 em comida (2 lanches, considerando-se um jantar e um lanche antes de dormir, caso não tenha como armazenar em sua hospedagem), USD 40 em cervejas (4 cervejas por dia) e USD 30 para taxas e extras – afinal são mais de 60 tendas com opções de comidas e um local somente para Craft Beers, por exemplo – podemos estimar em cerca de USD 100 por dia para evitar perrengue.
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Habemus brejas! (Foto: Divulgação)

5 – Quais são as tuas dicas infalíveis para curtir bem o festival?

Todos os dias levei uma mochila que continha os seguintes itens:
  • Protetor solar. EXTREMAMENTE NECESSÁRIO. Até 36 graus no deserto e muitos shows abertos.
  • Óculos escuros.
  • Carregador de bateria do celular.
  • Powerbank (ainda mais no meu caso, que estava utilizando o iPhone para fotos e vídeos. Salvou minha vida).
  • Casaco. Não cheguei a utilizar, porém, pode ser bem útil quando aparecem os fortes ventos.
  • Tênis confortável: fundamental. A área do festival é enorme e você vai querer andar BASTANTE.
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Coachella (Foto: Divulgação)

Outros itens que não utilizei porém que são importantes:
  • Bandana. Venta MUITO no deserto. Clima seco. Para os mais alérgicos, muito importante cobrir o rosto na medida do possível. Recomendado pelo festival.
  • Protetor lábial: idem pelo motivo acima.
  • Garrafa de água: não permitido entrar no festival. Porém, compre uma dentro e utilize o refil do festival.

​6 – Na sua opinião, quais os três melhores shows do Coachella 2017? Voltaria em uma nova edição do festival?

Sobre os shows o que posso dizer é o seguinte:
  • A tenda eletrônica não é uma área que me atraía, porém tinha um público bem fiel. Impressionante os efeitos visuais dentro delas!
  • O público americano em geral gosta muito de hip hop e dos DJs que misturam funk, rap, house, dentre outros. Nisso os shows de Kendrick Lamar, DJ Snake e DJ Khaled, por exemplo, foram dos mais concorridos, de ser impossível adentrar caso você chegasse após início do show.
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Coachella (Foto: Divulgação)

Sobre o que gostei de verdade:
  • Hans Zimmer foi uma experiência bem diferente, fantástica! Levou uma verdadeira orquestra para o deserto, com coral incluso até. Tocou trilhas como as de Inception, Gladiador e Rei Leão e o público pirou com as versões da trilha do The Dark Knight (Batman).
  • Darei menções honrosas aos shows de King Gizzard and The Lizard Wizard (momento MOSH do festival), The Avalanches (tenda Mojave TREMEU), Thundercat (virtuose MONSTRA), Real Estate (20% da tenda ocupada devido Kendrick Lamar e New Order começando em seguida, mas fizeram um show lindo e agradeciam o tempo todo pela resistência do público), Lee Fields & The Expressions (em show no solzão do domingo que deveria ser a noite. Vozeirão!) e Future Islands: Sam Herring é um ANIMAL em cima do palco.
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Father John Misty (Foto: Daniel Melo)

Shows ESPETACULARES:

  • Mac DeMarco: set maravilhoso com as músicas mais conhecidas e as novas bem mescladas. Além de ser um baita entretainer, você dá muita risada com as armações dele, tipo levar “sósias” de David Lee Roth (ex-vocalista do Van Halen) pra surfar na galera e do Ed Sheeran. Teve o público na mão. Só vou pro festival agora se tiver ele no lineup!
  • Father John Misty: Ele coloca a alma pra cantar em cima do palco. Banda tecnicamente impecável. Fim de tarde no palco principal, com um visual deslumbrante.Tudo perfeito. Tks Josh Tillman!
  • New Order: show leve, final de domingo, efeitos visuais incríveis e uma banda bem afiada. Tocaram tudo o que você espera (“Bizarre Love Triangle”, “Blue Monday”, “Love Will Tear Us Apart”) e uma versão maravilhosa de Temptation. E olhe que começou antes e terminou DEPOIS do Kendrick Lamar. Poderia continuar tocando até hoje.
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King Gizzard & The Lizard Wizard (Foto: Daniel Melo)

  • E temos o RADIOHEAD. Que não dá pra qualificar em nenhuma categoria anterior. Foi o único show que atrasou – talvez devido aos problemas técnicos do weekend 1 – e despertou uma ansiedade gigante no público, era o artista mais esprado ao lado de Kendrick Lamar. Começou com “Daydreaming” para introduzir o público no ambiente único deles. São capazes de pegar uma música considerada banal tipo “Ful Stop” e fazer dela o estopim pro show explodir. “Myxomatosis” rendeu até meme da Consequence of Sound sobre o quão LOUCO estava Thom Yorke, que de fato é um gênio muito do perturbado. Acompanhado de um Jonny Greenwood tão genial quanto ele. Seu irmão (Colin Greenwood) é um PUTA baixista, subestimado nas citações da banda. As viradas que ele deu em “I Might Be Wrong” são dignas de uma jam de jazz. Enfim, eles passearam por quase toda a discografia, menos por Pablo Honey (leia-se “Creep”), que não fez falta na minha opinião. Poderia escrever infinitas linhas sobre o show, mas no que me pegou pelo coração foram: “Pyramid Song” (amo o Amnesiac), “Everything In Its Right Place”, “My Iron Lung”, “Exit Music (For a Film)”, “Paranoid Android” e “Fake Plastic Trees”, cujo coro poderia ser ouvido desde Palm Springs.
Voltaria em uma próxima edição sim! Porém haja preparo físico. Não é mole você ficar cerca de 15 horas no deserto!
*Dani, muito obrigado por compartilhar com a gente essa experiência foda! Já tinha vontade de ir ao festival, depois dessa basta usar as suas dicas e aproveitar o deserto.