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Acordamos cedinho para ir buscar os exames do Átila para que o médico avaliasse tudo. A noite passada foi tranquila e os medicamentos que o médico passou controlaram a febre e a infecção alimentar. Antes de chegar no hospital, o Rafik parou de novo no Lassiwala, já que ele jurava que o lassi faria bem pro estômago do Átila.

Chegando no setor de urgências do hospital, a médica de plantão disse que os exames estavam em outro prédio. O hospital estava completamente lotado, já que era segunda-feira. Por sorte, conseguimos pegar os exames em um guichê e voltamos correndo pra médica. Explicamos os sintomas, as suspeitas e a rotina de trabalho e turismo que temos. Felizmente a possibilidade de malária foi descartada, assim como de anemia, estava tudo perfeito. A questão é que trabalhando dez horas por dia, dormindo de 5 a 6 horas por noite e turistando nas horas livres, o corpo e a mente colapsaram. Foi um pico de stress + algo que ele comeu que sentou mal. Ela receitou repouso de três dias, vitaminas para aguentar o tranco dos próximos meses, mais horas de sono e seguir com os remédios de infecção alimentar.

Como Jaipur é um caos e segundo a nossa programação deveríamos ter isdo embora no dia anterior, eu e o Léo perguntamos para o Átila o que ele achava de ir para Pushkar, uma cidade a menos de três horas de Jaipur, onde alguns conhecidos nossos diziam que era bem mais calmo, o lugar ideal para relaxar, já que a cidade não tem muitos monumentos e coisas para ver, mas sim uma vibe meio hippie, tranquila, com um lago bonitão que vimos nas fotos. A cidade é bem conhecida pelo Festival de Camelos que acontece no segundo semestre.

O Átila concordou que seria o lugar ideal pra ele repor as energias, e lá fomos nós para a estação de trem comprar as passagens. O Rafik, o motorista, nos levou e mostrou o guichê. Por sorte, conseguimos comprar para o mesmo dia, mas na classe C, sentados em cadeiras, mas com ar condicionado. O trem não tinha como parada final Jodhpur, mas fazia uma parada em Ajmer, uma cidade a 14 km do nosso destino, Pushkar.

Fomos para o hotel, fizemos o check out, e voltamos para a estação. Era a hora de nos depedirmos do Rafik, um ser humano incrível, que nos ajudou em tudo que foi possível e imaginável. Esperto, aprendeu bem o inglês, sabia quando falar e quando ouvir. Trabalha como motorista para sustentar os sete (!) filhos que têm em casa e recomendo MUITO os serviços dele para qualquer pessoa que visitar Jaipur.

pushkar

Estendemos um jornal no chão da estação, como sempre agitada, para sentarmos e esperarmos o trem. O Átila só podia comer pão branco e tomar água e eu e o Léo nem almoçamos. O trem chegou rápido, e tivemos que correr um pouco para achar o nosso vagão, que dessa vez, não tinham folhas com os nossos nomes na porta.

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Poltronas encontradas e depois de organizar tudo, dormi. O Átila ficou acordado. Depois de aproximadamente duas horas de viagem, eu acordei, vi o trem parado, perguntei que horas e o Átila disse que estávamos viajando há duas horas. Eu tomei um susto e disse que era aquela estação, mas o Átila achava que não. Perguntei a um casal de estrangeiros onde estávamos e a resposta foi: “Ajmer”. Era a nossa estação e o trem estava apitando para sair.  Foi uma loucura descer todas as malas, fechar bolsas e conseguir sair com a quantidade de pessoas entrando, mas enfim, conseguimos. Foi um daqueles momentos que você não sabe porquê, mas acordei na hora certa, se não, acabaríamos em Jodhpur, perdidos horas depois.

Conseguimos um táxi para nos levar até Pushkar. Em 25 minutos estávamos na cidade, procurando um hotel para nos hospedar. Ficamos animadíssimos que quase todos os hotéis da cidade tinham – e têm- rooftops, terraços com uma vista incrível. A cidade realmente é pequeninha, com vacas e cachorros passando todo o tempo e assumo que o cheiro não era dos mais agradáveis. Mas mesmo assim, Pushkar não têm a loucura típica de uma cidade grande, pode ser vista e explorada a pé e era realmente o lugar ideal pro Átila se recuperar.

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Decidimos ficar no Paramount Hotel e pegamos o maior quarto, com uma varandinha com essa vista maravilhosa. Já pela tarde, saímos para explorar a cidade um pouco e percebemos que quase todas as ruas são mercadinhos de roupas, jóias, incensos, acessórios para casa, restaurantes pequenininhos… e com preços incríveis. Pushkar é a melhor cidade para fazer compras se comparada à Delhi, Agra ou Jaipur até agora.

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Depois de dar uma volta pelas ruas e lojinhas, fomos procurar a Seventh Heaven, um hotel bem legal que infelizmente estava cheio durante essa semana, mas que também tem um restaurante bem legal no topo, o Sixth Sense. Lá comi a primeira salada depois de 11 dias e estava deliciosa. A primeira impressão de Pushkar foi ótima: menos caos, bom lugar para compras, uma vista maravilhosa do nosso quarto e um pouco de paz depois de dias intensos.

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