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O relógio marcava 2:35am, e o termômetro mostrava um frio de 0°C, mas na verdade nem precisava mostrar nada, já que o meu corpo sentia o frio intenso do norte do Canadá. Viajamos de São Paulo até Whitehorse para ver a Aurora Boreal, um fenômeno natural que é sonho de consumo de muitos aventureiros, e na minha lista estrelava o primeiro lugar. Como escrevi em outro post, eu sabia que um dia iria vê-la, só não sabia que seria tão cedo. A viagem aconteceu graças ao Projeto Bucket List, uma websérie que criei junto com o Daniel Thompson, o Mochileiro das Maravilhas, onde pretendemos realizar as principais experiências da nossa lista dos sonhos. Estávamos parados no frio, esperando as famosas luzes do norte darem as caras. Tomei um pouco mais de chá, um café para acordar e um chocolate quente pra junto com as outras duas bebidas anteriores combater o frio. Um papo aqui, outro acolá. Nada da aurora boreal. Espero pacientemente, e a cada minuto que passa o frio aperta. Nada de aurora. O céu estava limpo, mas como nos extremos do planeta tudo pode mudar rapidamente, o céu ficou coberto de nuvens. Voltamos para o hotel, e por sorte tínhamos mais três noites na cidade. Nada de Aurora Boreal, boa noite. Amanhã vou ver se existe algum santo da aurora, e se não tiver vai sobrar para o São Longuinho, pensei.

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A espera de um milagre. Quer dizer, da Aurora Boreal.

Acordamos quase meio dia, tomamos café da manhã e passeamos um pouco pelo centro da cidade. Whitehorse parece com uma cidade cenográfica onde são feitos os filmes de Faroeste, me senti Russell Crowe em “Os Indomáveis”, mas alí eu só procurava a Aurora Boreal. Anoiteceu, colocamos as nossas camadas de roupas e caímos na estrada novamente para o mesmo ponto de apoio da noite anterior. Mais uma vez nos posicionamos, configuramos as câmeras, os disparadores para fazer os time-lapses, colocamos a lente que compramos exclusivamente para fotografar o tal fenômeno, e sentamos para esperar algo acontecer. Angustiado, fui fotografar as estrelas, já que o Whitehorse tem um dos céus mais estrelados que já vi na vida. Na primeira foto surgiu algo estranho, as estrelas tinham companhia naquela noite. Uma leve luz verde cruzava lentamente o céu, mas era impossível vê-la a olho nu.

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De repente, uma luz verde mais forte apareceu, fazendo um tipo de dança, nos deixando loucos de alegria. Eram tantos sentimentos envolvidos que eu nem sabia como me controlar. Tinha que ver a Aurora Boreal e fotografá-la, mas para um iniciante no assunto fazer isso e controlar a emoção ao mesmo tempo não era uma tarefa fácil. Oh my good! Amazing! Os gringos gritavam. O show estava começando. Poderia durar um minuto ou uma hora, e eu mal acreditava no que eu estava vendo. A Aurora Boreal entrou para a minha bucket list há menos de cinco anos, e agora ela estava alí, cara a cara comigo. Pluguei o disparador automático da câmera e comecei a fotografar sem parar, queria um time lapse daquele momento único. Fiz 800 fotos só no primeiro dia.

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Nas quase duas horas de luzes verdes no céu de Whitehorse, a Aurora Boreal mudou de lugar várias vezes. Ficava uns dois minutos nesse lugar da foto acima, depois surgia em outro lado de surpresa, depois voltava para o outro, e assim ficamos olhando para o céu, encantados. O nível da atividade das luzes naquele momento era 3, e pode chegar até o 10. No site Aurora Forecast é possível verificar a previsão das luzes, mas você terá também que ter um pouco de sorte, afinal, esse espetáculo é um fenômeno natural.

Voltamos para o hotel às 3:00 am em ponto, e quem disse que alguém queria dormir? Ficamos olhando para as montanhas pela janela do quarto, tentando achar ainda algum rastro de luz no céu, mas devido as luzes artificiais da cidade foi impossível ver algo. Nas duas noites seguintes não tivemos tanta sorte. Na terceira noite uma aurora nível 1 apareceu por uns 10 minutos, tão fraca que não deu para fotografá-la, e na quarta noite ela nem sequer veio dizer adeus, até porque em breve devemos nos encontrar novamente.

Foca na aurora!
Serviço:

A temporada de Aurora Boreal em Whitehorse vai de setembro a abril. O tour sai diariamente às 22h30 e retorna às 3h. Uma van nos leva para um ponto de apoio a meia hora da cidade, onde nenhuma luz artificial possa atrapalhar a luz da Aurora Boreal. Fizemos tudo com a Northern Tales, uma empresa de turismo de aventura que além da Aurora faz outros tours em Whitehorse e região.

* Viajamos para o Canadá para gravar a segunda temporada da Websérie Projeto Bucket List, um projeto dos blogs Vou Contigo Lifestyle e Mochileiro das Maravilhas. A viagem contou com o apoio do Destination Canada e da Air Canada.